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quarta-feira, 1 de junho de 2011

E serão minhas testemunhas...

Muitos ensinam que o nascimento, por assim dizer, da Igreja ocorreu no dia de Pentecoste, quando os discípulos foram cheios do Espírito Santo, de acordo com a descrição do capítulo 2 de Atos dos Apóstolos. No entanto, o texto a partir de João 2.19, e indo pelo capítulo seguinte, nos remete a cinquenta dias antes, no domingo da ressurreição. João diz que estando os discípulos – exceto Tomé – reunidos naquele domingo, a portas fechadas por medo dos judeus, Jesus apareceu no meio deles e “disse: “Paz seja com vocês! Assim como o Pai me enviou, eu os envio”. E com isso soprou sobre eles e disse: “Recebam o Espírito Santo. Se perdoarem os pecados de alguém, estarão perdoados; se não os perdoarem, não estarão perdoados.”” (Jo 20.21-23). Aquele foi um momento célebre. Foi o momento em que o Espírito Santo veio sobre os discípulos, aos quais oficialmente foi transferido o ministério que era de Jesus, o ministério de anunciar e manifestar o reino de Deus, inclusive com a prerrogativa de perdoar pecados. Nascia a Igreja, o corpo de Jesus Cristo na terra, tendo como fôlego de vida o próprio Espírito Santo de Deus, que houvera sido prometido por Jesus (“E eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Conselheiro para estar com vocês para sempre, o Espírito da verdade. O mundo não pode recebê-lo, porque não o vê nem o conhece. Mas vocês o conhecem, pois ele vive com vocês e estará em vocês.” Jo 14.16-17). Uma semana depois Jesus aparece novamente e acaba com a incredulidade de Tomé, que não o tinha visto na primeira aparição (Jo 20.24-29). Porém, um detalhe importante neste novo episódio pode ser notado. Embora os discípulos já tivessem recebido o Espírito Santo, continuavam a portas fechadas, ao contrário do que se esperava, caso estivessem cumprindo suas instruções de envio: “Apesar de estarem trancadas as portas, Jesus entrou...” (v. 26). Ou seja, eles já tinham recebido o Espírito Santo, e já haviam sido enviados, mas continuavam na mesma posição de antes. Como se isso ainda não pudesse piorar, Pedro resolve voltar ao seu ofício anterior à sua jornada como discípulo. E devido ao seu espírito de liderança, outros decidem segui-lo! A pescaria foi um fracasso, até que Jesus lhes apareceu e “assumiu os remos do barco”. Ele mandou que os discípulos jogassem a rede para o lado oposto ao que eles estavam jogando, e então pescaram cento e cinquenta e três grandes peixes. Naquela ocasião, Jesus estava mostrando aos seus discípulos que embora eles tivessem escolha, o sucesso estava mesmo, era na obediência ao chamado do Senhor para as suas vidas (Jo 21.1-14).
Lucas, o autor de Atos dos Apóstolos, ratifica a informação de que Jesus apareceu aos apóstolos diversas vezes, durante quarenta dias, entre a ressurreição e o dia de Pentecoste (At 1.3). Ele disse que em certa ocasião Jesus lhes instruiu que não saíssem de Jerusalém, mas esperassem pela promessa do Pai. Segundo o apóstolo Pedro, “isso é o que foi predito pelo profeta Joel” (At 2.14-21; Jl 2.28-32). Alguns quiseram confundir o cumprimento dessa promessa com a restauração do reino de Israel, mas Jesus lhes disse que os tempos e as datas destas outras coisas competem unicamente ao Pai (At 1.6-7). E então esclareceu que o cumprimento da promessa predita por Joel seria um revestimento de poder que os tornariam capazes de serem suas testemunhas em toda a terra (“Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.” At 1.8).  O cumprimento desta promessa é descrito no capítulo 2, do livro de Atos. Sem dúvida alguma, é o maior milagre já realizado durante o período da História da Igreja: “Chegando o dia de Pentecoste, estavam todos reunidos num só lugar. De repente veio do céu um som, como de um vento muito forte, e encheu toda a casa na qual estavam assentados. E viram o que parecia línguas de fogo, que se separaram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava. Havia em Jerusalém judeus, devotos, vindos de todas as nações do mundo. Ouvindo-se o som, ajuntou-se uma multidão que ficou perplexa, pois cada um os ouvia falar em sua própria língua. Atônitos e maravilhados, eles perguntavam: Acaso não são galileus todos estes homens que estão falando? Então, como os ouvimos, cada um de nós, em nossa própria língua materna?”” (At 2.1-8). Cumpria-se a promessa do revestimento de poder sobre a Igreja. O grupo de cerca de cento e vinte, a Igreja do Senhor, já tinha o Espírito Santo que os dava vida como corpo de Cristo (At 1.14-26), mas no dia de Pentecoste, eles foram capacitados exatamente com o que precisavam para serem testemunhas do Senhor entre os povos. Eles receberam ousadia e intrepidez para pregar, mas também o dom necessário àquela ocasião. Pessoas de todas as nações estavam presentes. E a todas as nações era o envio. Mas como elas ouviriam se eles não pregassem? E como eles pregariam se não fossem capacitados pelo Espírito Santo para falarem nas línguas dessas várias nações? Um som muito forte invadiu o ambiente em que eles estavam, e algo como línguas de fogo desceu sobre cada um deles, e eles falaram em outras línguas, conforme o Espírito Santo os capacitava, e a mensagem do reino de Deus, da manifestação de amor e de toda boa vontade do Pai jamais cessou de se espalhar por toda a terra desde então.
A nossa petição ao Senhor deve ser para que os céus continuem se abrindo sobre nós, e que o Espírito Santo nos faça vivenciar mais e mais vezes o milagre desse derramamento de poder que nos capacita com os dons necessários para o cumprimento de nosso envio como Igreja do Senhor, em todas as diversas situações e ambientes. A Igreja perseguida em países islâmicos, hinduístas, budistas e comunistas; em países europeus chamados pós-cristãos; ou em países de uma religiosidade tão sincrética como o nosso, por exemplo, precisa ser constantemente despertada e revestida pelo poder do Espírito Santo, que nos capacita em todas as coisas, para que o reino de Deus seja sinalizado com ousadia, piedade e virtude. Desça hoje sobre nós, Espírito de Deus! Que o teu fogo nos tome pra ti, e que nos unamos com sincero quebrantamento ao Senhor, para que a tua vontade seja feita assim na terra, como no céu. Amém!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O Uso Equilibrado de Dons e Talentos

Segundo a palavra de Deus, os dons espirituais são dispensados pelo Espírito Santo entre os salvos em Cristo, para benefício e edificação comum. O Espírito manifesta diversos dons, através de diversas pessoas, segunda a sua soberana vontade e sabedoria. Os dons não são a princípio, nem jamais se tornam propriedade do indivíduo através do qual ele é manifesto, posto que “um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas” 1Co 12.11a.
Talentos, embora também venham da parte de Deus para o homem (“porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas” Rm 11.36a), são habilidades naturais que devem ser desenvolvidas por meios pedagógicos. Requerem uma participação efetivamente prática e racional, da parte da pessoa que por elas foi dotada. Assim, quem demonstra natural facilidade para tocar um instrumento, cantar, desenhar, ensinar, e etc., precisa desenvolver essa disposição natural, seja autodidaticamente ou com o auxílio de segundos.
Alguns dons espirituais, no entanto, são curiosamente manifestos a partir de uma sincronia entre o desenvolvimento e uso do talento, mais a operação sobrenatural do Espírito Santo. Em Romanos 12.5-8, a palavra diz: “Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros. De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada, se é profecia, seja ela segundo a medida da fé; Se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino; Ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria”. Enquanto alguns dons parecem se manifestar no/através do indivíduo de modo totalmente sobrenatural e espontâneo, outros são o resultado de uma parceria entre o doador e o graciosamente presenteado. Posto que a fé resulte do ouvir, do absorver, do comer da palavra de Deus, aquele que profetiza precisa fazê-lo para profetizar devidamente. O que serve, deve se especializar quanto às práticas das suas funções, estejam elas voltadas a recursos humanos, de inteligência mecânica, digitalizada, ou a quaisquer outras áreas. O que ensina deve dedicar-se, tanto a aprender mais apropriadamente as mais diversas facetas do seu objeto de ensino, como a diversos recursos, meios e técnicas facilitadoras da aprendizagem por parte de seus aprendizes. O que exorta dedique-se à disciplina de fazer uso do dom como é devido, e não o tenha como uma ferramenta de influencia controladora e de dominação. O que tem, escolha ser generoso. O que preside tenha o cuidado de buscar ser sempre mais eficiente e justo, zelando em todo o tempo pelo bem comum. O que se sente inclinado a socorrer o necessitado, o doente e o aflito, não o faça mecanicamente, mas tenha sempre um adicional a conceder. Tenha sempre um sorriso, uma palavra amiga, um toque caloroso.
A mim parece que o equilíbrio entre o uso dos dons espirituais e dos talentos, está no desenvolvimento destes, de modo a se tornarem meio e/ou ferramentas complementares à manifestação e operação daqueles.