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sábado, 14 de janeiro de 2012

O reino de Deus e o nosso papel nele


O reino de Deus ou “reino dos céus”, “reino de Cristo”, “reino do Senhor” ou apenas, “o reino”, é, por definição, o domínio soberano de Deus sobre todas as coisas – “O Senhor estabeleceu o seu trono nos céus, e como rei domina sobre tudo o que existe.” Sl 103.19; Dn 4.25-26; Mt 5.34; Ef 1.20; Cl 1.16; Ap 7.15-17. No decorrer dos tempos, porém, Deus estabelece meios para manifestar seu reino eterno na História.

A Manifestação histórica do reino de Deus

Com propósito de manifestar na História o seu reino, Deus escolheu e separou um homem para fazer por meio dele um grande povo, através do qual abençoaria todos os povos da terra – Ge 12.1-3. Abraão creu no Senhor, e Israel, sua descendência, se tornou o povo de Deus na terra. Dentre os filhos de Israel, Deus escolheu a Davi para governar sobre o seu povo e lhe fez a promessa de uma dinastia que seria para sempre – 2Sm 7.8-29. Por meio desta promessa, o Messias, esperado por Israel para reinar no trono de Davi, necessariamente, teria que ser descendente direto de Davi. Assim, veio Jesus, filho de José, da família de Davi – Mt 1; Lc 2.1-6.

O reino de Deus em Jesus

O reino de Deus veio em Jesus, mas de uma forma que surpreendeu a muitos. Jesus pregava por todos os lados as boas novas do reino de Deus – Mt 4.23 / 9.35; Lc 16.16. Em um determinado momento, Jesus resolve ir a certas cidades e envia discípulos, de dois em dois, diante dele, anunciando-lhes que o reino de Deus lhes estava próximo – Lc 10.1-11. Jesus mesmo era reino de Deus. Ele manifestou visivelmente o eterno Deus, bem como, o seu caráter – Cl 1.15-16. Ele disse aos fariseus que lhe perguntavam sobre o tempo da manifestação do reino de Deus que, embora não estivesse visível na perspectiva deles, o reino de Deus já estava entre eles – Lc 17.20-21. Em outra ocasião, quando Jesus conversava com o fariseu Nicodemos, ele lhe disse que ninguém poderia ver o reino de Deus, a menos que nascesse de novo – Jo 3.3. O reino de Deus é completamente invisível para os que não nasceram do Espírito, pois somente quando se entra no reino é que se pode contemplá-lo. Nascer de novo, aqui, é o mesmo que tornar-se parte da nova criação. É por isso que Paulo chama Jesus Cristo de “o primogênito sobre toda a criação”, em Colossenses 1.15. Não só porque ele é maior e antes de todas as coisas, mas porque ele, que é o Criador e que se fez criatura se dando em resgate de tudo, enquanto Filho do Homem, é o primeiro da nova criação. Jesus é aquele por meio de quem todas as coisas são feitas novas – IICr 5.17; Gl 6.15. Jesus desencadeou um processo de vivificação de tudo ICr 15.45. E este processo permanece, e culminará nos novos céus e na nova terra, como se pode ler em Apocalipse 21.1-8.

O nosso papel

Aos que se encontraram com Jesus, e tiveram a experiência do novo nascimento, ele chama de “luz do mundo e sal da terra” – Mt 5.13-16. São homens e mulheres que, no mundo, não vivem egoisticamente, mas vivem como luzes, que sinalizam por onde andam, a respeito de um reino que está neles, e no qual eles estão inseridos, e que se manifestará de modo visível sobre tudo. São pessoas que entendem que “o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo” – Rm 14.17. São pessoas que não vivem para julgar, mas vivem em função e movidos por um amor que salva.
Um pequeno trecho do livro Uma Ortodoxia Generosa, de Brian McLaren, resume bem a nossa missão:
“(...), Jesus vem ao mundo com amor que salva. Ele cria a igreja como uma comunidade missional para se juntar a ele em sua missão de salvar o mundo. Ele me convida a ser parte dessa comunidade para experimentar seu amor salvador e participar dele.
Essa abordagem missional muda tudo. (...), ela elimina velhas dicotomias como “evangelismo” e “ação social”. Ambas estão integradas para expressar ao mundo um amor que salva. Aos que querem se tornar cristãos (quer através da proclamação, quer da demonstração), nós damos boas-vindas. Aos que não querem, amamos e servimos, juntando-nos a Deus na busca pelo seu bem, sua bênção, sua paz.”

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A manifestação do reino de Deus

“Sendo Jesus interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, respondeu-lhes: O reino de Deus não vem com aparência exterior; nem dirão: Ei-lo aqui! ou: Ei-lo ali! pois o reino de Deus está dentro de [entre] vós.” Lc 17.20-21

Num momento de questionamento por parte dos fariseus quanto ao tempo em que viria o reino de Deus, Jesus confronta suas perspectivas da manifestação plena do reino como algo imediato, ou próximo – no sentido de acontecer dali a um breve tempo. Porém, ele declarou que o reino de Deus já estava entre eles. Isso parece um contrassenso, considerando Mateus 10.7, segundo algumas versões que o traduzem dizendo que o reino está próximo, se nós não considerarmos que essa proximidade não se refere a tempo, mas a acessibilidade. Ou seja, o reino de Deus é, de fato, uma realidade acessível, disponível para todos, embora sua manifestação plena ainda não tenha acontecido (“pois, assim como o relâmpago, fuzilando em uma extremidade do céu, ilumina até a outra extremidade, assim será também o Filho do homem no seu dia.” Lc 17.24). Na conversa com a samaritana, à beira do poço de Jacó, Jesus falou-lhe que o tempo de adorar ao Pai em espírito e em verdade, era de fato, chegado (Jo 4.23), e depois de um belo diálogo com certo escriba sobre o maior dos mandamentos, declarou-lhe: “Não estás longe do reino de Deus” (Mc 12.34). Portanto, o reino de Deus está aí. Ele é uma realidade já. E cada pessoa na face da terra pode simplesmente vivenciá-lo, adorando ao Pai em espírito e em verdade, ou pode viver aquém dele. Essa mensagem foi pregada sistematicamente, pelo Senhor Jesus. “Assim como nos dias de Noé...”; “Assim como nos dias de Ló...”, “Acontecerá exatamente assim no dia em que o Filho do homem for revelado.” As pessoas estarão distraídas em seus próprios negócios, buscando seus próprios interesses e a satisfação de seus prazeres mais contradizentes e obscuros. Alheias ao amor de Deus e ao sentido de ser de si mesmas (Lc 17.26-30). Mas não superestimem as coisas que passam, alertou o bom Senhor. Não voltem atrás, após terem conhecido do reino de Deus. “Lembrai-vos da mulher de Ló.” Pois “qualquer que procurar preservar sua vida, perdê-la-á, e qualquer que a perder, conservá-la-á” (Lc 17.31-33). Também pegar carona na espiritualidade do outro não vai funcionar! O chamado ao reino de Deus é universal, mas só se concretiza individualmente a partir de uma resposta dada por cada indivíduo. Cada homem e mulher são convidados a participar do reino de Deus. Mas o não compromisso pessoal com o reino será contado como rejeição a ele, e os tais que assim estiverem vivendo ficaram de fora (Lc 17.34-36), para que sobre estes venha o juízo (Lc 17.36). Portanto, a única forma de vivermos as maravilhas do reino de Deus em sua expressão plena no futuro, é submetendo-nos a ele no presente. O que não é nenhuma perda! Antes, é a manifestação da “boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2) para cada um de nós. Tomara todos oremos todos os dias, de coração e com verdade: “venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10).